Um propósito de vida que gerou um negócio transformador

Entrevista com Lilo Chachamovits

Entender quem é e descobrir sua missão nesse mundo. Essa foi a maior inquietação de Lilo Chachamovits durante boa parte de sua vida, antes de fundar o Visionários, uma nova maneira de combinar empreendedorismo e mudança social. Aos 33 anos, ele já acumula muitas experiências, que gosta de compartilhar com amigos, especialmente, os mais jovens. “São vivências pessoais que me ajudaram a empreender. Minha jornada em Israel, por exemplo, foi essencial para descobrir minha relação de pertencimento ao mundo e descobrir meu propósito aqui”, revela.

Judeu, Lilo viveu três anos e meio em Israel, onde trabalhou numa fintech, montou um departamento de língua portuguesa e até serviu o exército, voluntariamente. Uma das experiências que mais modificou sua vida foi viver em uma Yeshiva (“mosteiro judaico”). “Os estudos religiosos e espirituais englobam muitas coisas, como ética, moral, valores, estrutura de pensamento, formas de olhar as coisas da vida, entre outras. Foi lá que criei as minhas bases sólidas. Viver tudo o que vivi em Israel foi um empreendedorismo de vida!”, ressalta Lilo.

Esse foi o início de uma história de prosperidade. Formado em Administração com ênfase em Marketing pela ESPM, antes de se aventurar em Israel, Lilo passou por diversas empresas, em mercados diferentes – artigos de luxo, agências de comunicação, indústria têxtil a comércio exterior. Até então, ele ainda não tinha encontrado algo que, de fato, o apaixonasse, que o motivasse de verdade, que fizesse sentido para o seu objetivo de vida no mundo.

No Brasil, em 2014, começou a trabalhar num projeto para uma nova sinagoga em São Paulo. Foi lá que Lilo criou o Visionários e deu início ao primeiro programa, desafiando times, formados por jovens empreendedores da própria comunidade judaica, com boas ideias para resolver desafios de organizações sociais. O projeto piloto contou com a participação de 11 times e 30 pessoas selecionadas.

A vontade e persistência foram fundamentais para fazer o negócio acontecer. “Foi muito difícil colocar o Visionários para frente. Tudo o que podia dar errado, deu. Empreender exige estômago para aguentar a roleta russa”. Mas deu certo. As parcerias aumentaram, muitas organizações sociais se interessaram por sua ideia. Lilo conta que quando o GRAAC, uma das parceiras, respondeu seu e-mail pela primeira vez sentiu que realmente estava deslanchando. O primeiro programa oficial foi lançado em fevereiro de 2016. Com um único post no Facebook e investimento de R$73,00, em menos de 30 dias, o Visionários havia recebido 130 inscrições e nove times foram selecionados para participar.

No final de um longo processo de desafio, aprendizado e treinamento, as melhores ideias de negócios foram pré-aceleradas e o projeto vencedor recebeu o prêmio de R$50.000,00 e fechou parceria estratégica de aceleração com a empresa de mídia Grumft. “Foi incrível. No final, ao revelarmos o projeto vencedor, os demais times comemoraram e aplaudiram juntos. O espírito de disputa, concorrência, passou longe. Todos estavam em sinergia e interessados em, de fato, fazer diferente, ajudar as organizações sociais participantes”, conta.

O segredo desse sucesso está no começo desse texto, Lilo relembra a todos aqueles que também querem empreender como ele: “Antes de tudo, entenda quem é você e o que veio fazer nesse mundo. Uma vez que sabe isso, aí sim olhará para fora as oportunidades de mercado e saberá onde atuar”, finaliza.