Nenhuma marca será líder sem uma causa, diz especialista

Entrevista com Rodrigo Padron

Fundador da Brain, agência idealizadora do projeto que deu origem ao Triggers powered by Visionários, Rodrigo Padron acredita que a uma nova ideia de liderança de mercado está ganhando economias como a dos Estados Unidos, Europa e Brasil. “Líder será a marca capaz de defender publicamente sua causa e, pela mesma razão, conseguir engajar seus consumidores. Uma marca não terá valor em si mesma, porque as pessoas já entenderam que os discursos corporativos são quase sempre de autopreservação ou autopromoção. Uma marca ganhará a plateia, a admiração das pessoas se tiver sensibilidade e coragem para desafiar padrões sociais que não estejam alinhados às novas tensões culturais”, diz Padron.

Segundo o empresário, as novas relações de consumo estão baseadas no encontro, na convergência de ideias e valores. Mas ele faz uma ressalva. “É preciso reconhecer que não há um único sentido categórico, por isso, todas as causas devem ser consideradas igualmente importantes, desde que orientadas para a convivência respeitosa ou harmônica entre os diferentes grupos sociais e suas relações com os espaços onde habitam”, explica.

Ele destaca que que os mercados estão em meio a uma mudança de cultura, gerada pela iniciativa dos mais jovens de ruptura com os valores do passado e no esforço de construção de uma nova relação com o mundo. Nova ordem social e econômica responsável pela chamada economia criativa ou a consciência.

“Passa a ser função de uma marca engajar seus consumidores a assumir seus estilos de vida e a defender seus direitos – do veganismo, da saudabilidade à igualdade de gênero e abrigo a refugiados ”, exemplifica.

De acordo com Padron, uma marca que aspira assumir uma liderança genuína – àquela que não é medida pelo volume de vendas -, precisa entregar mais do que bons produtos ou serviços. Ela deve ainda trabalhar para ajudar as pessoas a reconfigurar suas identidades, dar um sentido para suas vidas, de referências para uma nova relação de pertencimento
ao mundo. “É função do líder promover a mudança de atitude e transformação social”, ressalta.

Uma pesquisa da JWT Research revelou que 88% dos consumidores mais jovens nos Estados Unidos acreditam que as marcas não devem simplesmente em se contentar de com a ideia de “fazer menos mal”, mas ativamente “fazer o melhor”. “Na economia da consciência, o que as marcas fazem é tão importante quanto àquilo que elas oferecem”, afirma.

Para Padron, cada vez mais, as pessoas desejarão gastar com marcas que falam com suas melhores esperanças. As que não se não alinharem a esse novo contexto, correrão o risco de se tornarem irrelevantes.