A reinvenção do conceito de fintech

Entrevista com Guilherme Muller

Nos últimos tempos, temos ouvido falar muito sobre o termo ‘fintech’, que tem sido bastante disseminado em outros países, principalmente Estados Unidos, e que surgiu da combinação das palavras em inglês, financial (finanças), e technology (tecnologia). Esse nome, por si só, resume bem a ideia: fintech é toda empresa que oferece serviços financeiros com o uso de tecnologia, e, sobretudo, pela internet. Diferentemente dos bancos tradicionais, as fintechs utilizam a tecnologia para tornar mais prática a administração financeira das pessoas, com menos burocracia, custos mais baixos, maior controle sobre operações financeiras, e daí por diante.

É por este recente mercado que Guilherme Muller, 47, carioca, formado em engenharia da comunicação pela PUC Rio, apaixonou-se e vem empreendendo. Muller começou a carreira na IBM, participou da criação de diferentes empresas – todas do ramo de tecnologia – até chegar à criação da Trigg, plataforma de crédito criada para tornar o empréstimo pessoal mais rápido, fácil e descomplicado.

“Posso dizer que a melhor experiência da minha vida foi empreender. Empreendedorismo e tecnologia são minhas inspirações. Em uma passagem por Nova Iorque, fiquei deslumbrado com os novos modelos do mercado financeiro, que chegaram para transformar o setor. Foi aí que pensei na Trigg”, explicou. A empresa iniciou suas operações em setembro de 2015, funcionando como um canal bancário para a Omni Financeira, empresa nacional com atuação no mercado de empréstimos para compra de automóveis.

A Trigg já somou 20 mil cadastros nos primeiros meses de serviço, chegando a uma estimativa de R$ 2 milhões em empréstimos, em 2015. A novidade agora é o cartão de crédito, que tem consumido do empresário uma pesada carga de trabalho diária no último ano. “Não queria lançar um cartão de crédito, como fazem as outras empresas do setor. Buscava algo diferente, rompedor. Por isso, fui buscar na minha essência valores que pudessem mudar a lógica do negócio”, disse.

Este desejo foi o pontapé inicial para Guilherme pensar e pesquisar em como fazer dar certo. Foi quando conheceu o ‘Visionários’, plataforma inovadora que estimula o empreendedorismo social. Era o que faltava para a Trigg lançar o Triggers, primeiro cartão de crédito envolvendo uma lógica inédita: único cartão de crédito no Brasil conectado à uma ideia de fomento ao empreendedorismo social, e que envolve educação e pré-aceleração de startups.

“Na prática, cada cliente da Trigg terá a oportunidade de renunciar a seu cash back, sistema que reverte um percentual das compras em crédito na fatura ou produtos, em benefício de negócios sociais” explica Muller. Triggers desafiará times formados por jovens empreendedores com boas ideias para resolver desafios de organizações do terceiro setor, com a mentoria de grandes empresários. No final de um longo processo de desafio, aprendizado e treinamento, as melhores ideias de negócios são pré-aceleradas e o projeto vencedor receberá um aporte de capital e um contrato de aceleração com uma empresa investidora. A organização social que participou do desafio com o grupo vencedor também será premiada com R$ 20 mil.

“Sabemos que muitas pessoas querem ajudar, ao mesmo tempo que não sabem como, e também não querem fazer assistencialismo. O Triggers dará aos nossos clientes a oportunidade de participar de todo o processo, de saber como será usado o dinheiro, e como funcionam os negócios sociais. É uma forma de colaborar para que empreendedores sociais consigam fazer a diferença”.

Guilherme não pretende parar por aí. A ideia do empreendedor é fazer da Trigg a principal opção de conta corrente socialmente responsável do Brasil. Para o executivo, é necessário muito perseverança para que as ideias aconteçam: “Inovação não surge do nada, mas com muito trabalho e dedicação. Meu principal conselho para quem deseja empreender é desconectar um pouco desse momento ruim do Brasil, dessa maré negativa, e acreditar mais em si próprio, acreditar mais nas pessoas”.